Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Alberto Gonçalves, sociólogo (ou um texto que eu não devia escrever porque estas coisas podem sair c

 
O nome acima creio que será reconhecido por poucas pessoas, à excepção de quem lê a ultima página da Sábado e dá por ele no DN. Alberto Gonçalves é uma daquelas pessoas que não se percebe bem por graça(s) de quê (quem) conseguiu o seu lugar entre os Colunistas, herdando na Sábado a ultima página deixada livre pelo - esse sim excelso - Ferreira Fernandes.
 
Alberto Gonçalves é culto, daquela cultura que não se tem de forma natural aos trinta e poucos anos a menos que se tenha abdicado de ter VIDA, o que parece ser o caso. Alberto Gonçalves é uma espécie de projecto de Pacheco Pereira mas sem a "bagagem" e "estaleca" deste. E é colunista, e é sociólogo.
 
Ora, se a ocupação de escriba é um inócuo erro de casting que se pode evitar simplesmente não o lendo, já o facto de ser sociólogo parece ser uma escolha errada numa pessoa tão preconceituosa e dogmática.
 
Alberto Golnçalves segue a "linha editorial" do mestre Pacheco: odiar e maldizer tudo o que seja main-stream, consensual ou pura e simplesmente diferente do seu juízo (final, como o próprio intitula). Como opinador está, obviamente, no seu pleno direito. Como sociólogo parece-me muito limitado...
 
Vem isto a propósito do artigo da página 122 da revista Sábado nº 200 - 28 de Fevereiro a 5 de Março, mais especificamente o "artigo" (opinião) de titulo "Este Cinema não é para adultos".
 
Abre o artigo mencionando um amigo que "se tornou gay" (tornou gay? ó senhor sociólogo, então tanta cultura não dá para mais que isto? mas enfim, uns tornam-se gay, outros tornam-se colunistas). E sobre o que fala o artigo? Os Óscares, onde ficamos a saber que "um toque de irreverência pessoal" no sagrado smoking masculino resulta em "contaminação" do mesmo. Daniel Day-Lewis que segundo Gonçalves recebeu o Óscar por "berrar durante duas horas" (não comento, não vi o filme mas não vejo o que tem o tom de voz que ver com a interpretação), recebeu blasfemo o prémio envergando "argolas de oito centímetros de perímetro nas orelhas", o que, obviamente, faz dele uma pessoa menor, deprezivel. Não sei bem a partir de quantos centímetros de perímetro de argola orelhal Gonçalves perde o respeito às pessoas, mas 8 milímetros é claramente demais.
 
Contudo se o caso de Daniel Day-Lewis é preocupante, como diz o próprio (Gonçalves, não o Lewis), "mesmo as senhoras não evitam o enxovalho". Exemplo? "a menina que assinou o Melhor Argumento possuía tantas tatuagens quanto os ferimentos de guerra de John McCain". Aparte me espantar o facto de o senhor saber exactamente quantos ferimentos de guerra tem John McCain (ou mesmo de saber quem é John McCain), o facto de possuir tatuagens, essa coisa do demo (disse eu, não o Alberto), não só enxovalha qualquer pessoa como a faz passar imediatamente de "senhora" e "menina". Porque, claro, uma "senhora" não usa tatuagens e mesmo que seja distinguida pela sua escrita (que, como se sabe é coisa que as tatuagens influenciam em larga escala) não é merecedora de qualquer respeito (por parte de quem escreve também, curioso) porque... tem enxovalhantes tatuagens.
 
Eu, caro sociólogo, há anos que faço tatuagens e nunca tinha reparado que isso me diminuía as minhas capacidades intelectuais (já que com o enxovalho convivo bem). Noto, por outro lado que o fascinio da comunicação escrita (podia chamar-lhe empolamento pessoal, mas somos diferentes) tende a toldar a análise do Sociólogo (aqui uso maiúscula por respeito aos demais Sociólogos).
 
Aprecio o sentido de humor de Alberto Gonçalves ao iniciar o terceiro parágrafo, após ter destilado homofobias e preconceitos com um um profundo "Não quero parecer superficial. O problema não é apenas estético". Se o "parecer superficial", parece-me surgir demasiado tarde no artigo, já aquele "apenas" me garante que para A.G, o valor de um actor, de uma guionista se medem - também - pelas suas opções estéticas e isso sim, caro, é muito, mas muito superficial. Demasiado para um sociólogo. Sobretudo quando no segundo artigo da dita página faz a sua declaração de interesses, no caso, ódios ao futebol, por claro, como o Mestre Pacheco, por via do elogio do programa Liga dos Últimos. Para quem não quer parecer superficial...
 
___________________________________________________________
(e eu, por causa de escrever estas coisas, lixo-me. Meto-me com que "não devo" e fecham-se as portas, mas sofro do mesmo problema do Alegre, não me apetece calar-me mesmo que isso me seja prejudicial)
 

publicado por joao moreira de sá às 08:02
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22 comentários:
De adnirolfpa a 6 de Março de 2008 às 11:55
No te calles.....no te calles


De Pessoa que não quis ou não soube dizer o nome a 23 de Julho de 2013 às 15:19
A única verdadeira questão é a seguinte: Alberto Gonçalves tem graça no que escreve e como escreve, enquanto que o senhor limita-se a comentar sem graça a escrita de outros.

De resto, paz e amor é o que desejo.


De Caricas a 7 de Março de 2008 às 18:04
um viva a este post! VIVA!

e um beijinho ao bispo*


De joao moreira de sá a 7 de Março de 2008 às 19:16
Pois.... mas é por causa destas que eu nunca escreverei numa revista, jornal...

Mas ver que as pessoas normais percebem a minha indignção perante tanto preconceito compensa-me (a alma).

Um beijo na Caricas (ai se eu me esqueço de por o "a" a seguir ao "C"... :)


De Lapis de cor a 31 de Maio de 2008 às 01:30
Sou assinante da revista Sábado, e se existe pagina que não deixo de ler é a deste enorme senhor.
No dia em que Alberto Gonçalves deixar esta publicação, ou deixr de chamar os bois pelos nomes, serei o primeiro, a deixar de a lêr.
Grande abraço AG


De joao moreira de sá a 31 de Maio de 2008 às 10:20
Eu também sou assinante da Sábado e embora não seja tão drástico - também me custou a saída do Ferreira Fernandes e superou-se - começo a leitura pela última página. Se não me valesse consideração, não conseguiria provocar-me um estado de indignação, ser-me-ia indiferente apenas.

E que nunca se confunda o que se diz do que foi escrito com o que se pensa sobre a pessoa que escreveu .


De Ricardo a 5 de Janeiro de 2012 às 16:31
Alberto Gonçalves um senhor? Esse palhaço nem sabe do que fala, e ganha-se dinheiro assim neste país... enfim, para mim não leio mais essa revista enquanto gentalha desta escrever lá...


De Miguel a 13 de Julho de 2008 às 17:25
Este Alberto é realmente dos mais tristes colunistas da revista Sábado. Alberto Gonçalves não chama os bois pelos nomes, insulta descaradamente quem quer que seja sem nenhum tipo de respeito, numa atitude triste, triste, triste.

Não diz nada, limita-se a deitar umas piadas sobre um tema que a ele lhe parece importante maldizer, mas chega-se ao fim da leitura e vê-se que ficámos a saber o mesmo. Deixei de ler a sábado, em parte, por saber que não é por mérito de sociólogo (nunca o demonstrou ser pelo menos), nem de escritor, que tem o "colunista" que tem.


De Lingueiredo a 2 de Setembro de 2013 às 01:38
Seja o senhor quem for, Miguel, devo dizer-lhe que não podia concordar mais com o que diz. Em Portugal, fenómenos de massificação social conduziram a uma bestialização do nível intelectual dos colunistas, derivado, igualmente, da indevida proliferação dos mesmos. Alberto Gonçalves é a epítome disto mesmo, com a agravante de ser provido de uma inacreditável petulância e de uma sanha persecutória contra a esquerda que me parece incompreensível e que (para fazer uso de um género de explicação que certamente mereceria o aplauso do dito colunista) somente se explica por um qualquer complexo freudiano muito mal resolvido.


De tr a 14 de Novembro de 2008 às 15:41
Este "sociólogo" devia ser lapidado.. ou então ler Ignacio Ramonet.. estúpido de merda.. com burregos (cruzamento entre burro e egocêntrico) destes é que isto n anda pa frente..


De Angélika a 21 de Abril de 2009 às 17:04
Subscrevo a tua opinião sobre este Sr. Alberto Gonçalves. Já estive para escrever sobre este Sr. pois é com bastante desagrado que leio algum dos seus artigos. Não sou assinante da revista e compro-a esporadicamente, pois alterno entre a sábado e a visão, tirando as semanas em que não compro nenhuma :)
Este Sr. AG foi dos colunistas que mais indignação me conseguiu provocar. Neste momento simplesmente não o leio. É como não ligar a Tv no canal 4 pelas 20h.
O Sr. AG pode ser culto, sociólogo, etc, mas como comentador deixa muito a desejar. Dizer mal por dizer, basta-me ter conversas na tasca da esquina depois de muitas jekas e tremoços.

Não te cales que eu também não!


De sofia a 2 de Maio de 2009 às 22:09
Se lhe fecham portas nos jornais é porque o que escreve e a forma como escreve não interessa a quem define a linha editorial das publicações. E não será dificil perceber porque...

Se há coisa nauseabunda de se ler, é o tipo de critica que voce faz. A critica de quem, tendo perdido a noção do ridiculo, brama ao mundo a sua mesquinhez e pequena inveja por alguem, que só por milagre, irá um dia compreender e apreciar.

Sou socióloga e não partilho de muitas opiniões expressas pelo AG, mas agrada-me lê-lo porque percebo a intenção subjacente às farpas que lança e percebo tmabém que a forma como escreve é um estilo. E estética literária não me parece que seja o seu forte.

Não espere encontrar teorias sociológicas em artigos de pagina de generalistas, só porque o autor é sociólogo. Isso revela infantilidade da sua parte, para não dizer completa iliteracia.

Acerta altura diz de AG que tem uma cultura "que não se tem de forma natural aos 30 anos a menos que se tenha abdicado de ter VIDA".
Antes de mais, tenho que dizer que asta frase chega a dar nauseas de tão absurda e mal escrita:

Troca cconhecimentos por "cultura" (conceito que não faz a menor ideia do que quer dizer) e ainda acha que um tipo por ler mais que a SABADO e o Publico ao fim de semana já não tem vida.

Vida como a sua com certeza que nem o AG nem eu própria queria ter.





De sofia a 3 de Maio de 2009 às 00:00
Fiz uma busca no google por Alberto Gonçalves e vim aqui dar. Alguma coisa o AG já lhe deu a si, o contrário é que ainda está por demonstrar.

E ainda se lamenta que tem as portas fechadas porque "se mete com quem nao deve".

Eu diria antes que é porque o que escreve e a forma como escreve não interessa a quem define as linhas editoriais das publicações. E não é dificil perceber porque...

A sua critica chega a dar náuseas. É a critica de quem, sem a menor noção do ridiculo, brame aos 4 ventos a inveja por alguém, que só por milagre, pode algum dia compreender e apreciar.

Sou socióloga e nem sempre concordo com as opiniões expressas pelo AG, mas sei perceber o que é uma opinião e o que é um estilo de forma. E que muitas vezes, a forma pode parecer deturpar o conteúdo, se não se souber interpretar ironicamente o texto.

Não espere encontrar teorias sociológicas num texto de meia página dum jornal generalista, apenas porque quem o assina é sociólogo.
Pensar isso revela tanta infantilidade e iliteracia, como achar que o eng Sócrates por ser engenheiro está no governo a projectar pontes.

Depois sobre a cultura do AG diz:
"que não se tem de forma natural aos trinta e poucos anos a menos que se tenha abdicado de ter VIDA";
Esta frase causa espanto de tão absurda.

Primeiro confunde conhecimentos com "cultura" (conceito que ignora desde o dia em que nasceu), e depois acha que um tipo só porque não se fica pela SABADO e pelo Destak já é um infeliz sem vida, como se, porventura, estivesse em condições de saber ou avaliar o que é "ter vida".

Com certeza que o AG não tem uma vida como a sua. E com maior certeza ainda, também não a deseja.


De Slayer a 20 de Junho de 2009 às 01:40
Caro Arcebispo, não se esqueça que a Drª Helena, astróloga e taróloga faz questão de indicar que é licenciada em sociologia.

Para mim, este Alberto como sociólogo é um mistério.

Costumo dizer que há uma grande diferença entre um guitarrista e um gajo que toca guitarra.


De Carlos Góis a 5 de Julho de 2009 às 14:07
Estes maricas, em termos de tolerância não progrediram nada, aliás, parecem-me cada vez pior. Têm que meter (calma), é na cabecinha que têm que meter o seguinte. A Gente dá-lhes todo o direito de serem e meterem o que quiserem aonde quiserem; mas podem ter a certeza de que a Gente tem também todo o direito de nutrir por eles oa sentimentos que tivermos - ódio inclusivamente. Façam como a Gente: tratem da vidinha e não chateim.


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