Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

Notas do fim de semana

 
E se o Arcebispo passasse a livro?
(Dava uma boa prenda de Natal?)
 
 
 
Um dos motivos porque gosto de ler biografias é por não terem suspense nenhum.
 
 
 
Há coisas na “banca”, ou nos bancos, como nós lhes chamamos, que eu acho tão fantásticas que mereciam um anúncio com aquelas meninas pré-eróticas que desapareceram da tv. Uma delas é o que eles chamam de “Comissão de Resgate”, que aplicam, por exemplo, no crédito à habitação (presumo que em todos, mas feliz ou infelizmente não possuo outras experiências). Só o nome já me deixa baralhado, o despudor com que eles assumem o facto de eu ser e estar cativo (termo mais que apropriado ao contexto) da instituição bancária e se quiser “libertar-me” tenho que pagar um resgate. Eu posso estar enganado, mas ter algo sob sequestro e pedir pela sua libertação um resgate chama-se sequestro e é crime. Na “banca”, aparente e efectivamente, não.
 
A outra são as imaginativas Despesas de Manutenção (e demais “custos” que surgem sob diversos nomes). A parvoíce começa no facto de os bancos apenas cobrarem “despesas de manutenção” aos clientes cujas contas de facto não dão trabalho a manter por terem um baixo volume de movimentos, ao contrário das mais abastadas e movimentadas, que pela lógica dão mais trabalho mas que não pagam despesas de manutenção. No mínimo, se não há democracia, comiam todos! Mas a coisa vai ao cumulo quando um qualquer banco, imaginário, chamemos-lhe BBVA, tem um cliente, chamemos-lhe, eu, que tem, por exemplo, 30 euros numa conta que em tempos foi uma conta ordenado mas que agora não serve para nada. Devido a não ter multibanco ou cheques, essa conta deixa de me interessar por para “movimentar” esses 30 euros pago logo 8 por um cheque ao balcão. E não tenho cheques ou multibanco porque essa suposta instituição bancária não mos fornece devido ao facto de o saldo médio ser baixo, tão baixo que não me dá para pagar a anuidade do cartão que eles querem que eu tenha para usar aquele banco. Parece coisa de loucos e uma pessoa perde-se mas tentem acompanhar-me. Enquanto andamos nisto, o banco todos os meses emite um extracto bancário – apesar de me ter dado acesso a consultá-lo pela net – e cobra-me esse envio, porquê três ou quatro vezes o valor do selo? pois não sei porque supostamente as despesas administrativas do envio da carta deviam estar incluídas nas “despesas de manutenção” que são o único movimento que consta daquele extracto mensal. Paragrafemos para uma pausa.
 
Temos então que, mês a mês, sem que eu faça absolutamente nada, sem que eu dê qualquer trabalhinho àquele banco, os meus 30 euros vão diminuindo. Até que um dia desaparecem, a coisa chega ao 0. Na minha cabeça retrógrada, um banco uma instituição onde colocamos o nosso dinheiro para ele ficar em segurança, por oposição ao velho uso do colchão que não sei se não haverá gente a repensar. E na minha cabeça, esse dinheiro que nós lá colocamos seria sempre nosso. Despesas de manutenção e demais custos, sim, mas sobre os lucros, o adicional, a vantagem que o facto de ter o dinheiro no banco representa. Mas os meus 30 euros seriam sempre meus. Porque não sendo essa a lógica, se chegando a conta a 0 qualquer banco nos diz que não vale a pena fechar a conta porque já está “a zeros”, continuando a haver conta, continuando a não haver movimentos, continua, pela mesma lógica, a haver custos administrativos, logo, lugar a despesas de manutenção. O que faz com que, se o banco quiser, aparentemente nada o impeça de vir a dizer que lhes devo dinheiro... de “despesas de manutenção”.
 
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publicado por joao moreira de sá às 07:00
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3 comentários:
De onitsuaf a 28 de Julho de 2008 às 10:20
há um banco que não vou dizer qual é, mas que tem nome de quem engravidou a nossa senhora, que me quer levar a tribunal porque na cabeça deles lhes estou a dever a grossa quantia de cinco euros, pelas exactas razões que descreves no teu último parágrafo.
se eu deixar de pôr comentários aqui por muito tempo, é provavelmente porque fui preso.


De Kok a 28 de Julho de 2008 às 22:25
Isso faz parte duma espécie de porra, que não tem justificação. O "meu" banco que foi buscar o nome ao conjunto de cem anos, "ensinou-me" que eu fizer uma transferência da minha conta para a "tua", sempre dentro do mesmo banco, ao meu saldo é retirado de imediato esse valor mas a "tua" conta só é creditada após 4 (ou 5?) dias úteis. Como eu não percebesse a jinga-joga questionei a coisa e depois de muita conversa (que eu nunca "percebi") disseram-me que eram directrizes do B.Portugal. Oh pah, não me..., disse eu! Parece que o gajo do B.Portugal me ouvio e terá dito para "não ligarem aos tais dias úteis"
Eh pah, desculpa lá o discurso. Akele abraço!!!


De Margarida a 30 de Julho de 2008 às 08:44
Pois é... acontece com todos os bancos. A mim, aconteceu-me pedir para encerrar uma conta que já tinha entrado a "negativo" por causa das tais despesas... depositei o valor respectivo e saí de lá, muito descansadinha a pensar que estava tudo resolvido... MENTIRA!!! perderam a cartinha que lá entreguei e, passados que são mais de 3 meses, ainda a coisa está em pendente... Ah! o meu banco é aquele com nome feminino... sabem????? De loucos...
Margarida


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