Segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Sobre o Natal que já não é o que era

 

Reparem que naquela época havia datas específicas para gastar dinheiro, que apesar dos esforços ainda pouco passavam de picos de consumo nas que chamavam épocas festivas. Devem ser-vos familiares os conceitos ou pelo menos os nomes Aniversário ou Natal.
 
Claro que estamos a falar de um período anterior ao gasto-diário-mínimo-obrigatório. Foi também por essa altura que o Plano entrou em acção. Repararam que falei ali atrás de dois eventos, Aniversário e Natal. Foram durante muito tempo os dois grandes senão únicos ritos de consumo enquanto comportamento social colectivo. A Intervenção fez-se de duas formas. Pouco a pouco conseguiu-se fazer expandir o Natal a zonas do planeta cuja cultura lhe era alheia no significado. Estamos a falar de áreas como as actuais Chinásia ou os Grandes Territórios Israelo-Iranianos, quem daqui já tenha visitado a Terra com certeza conhece. Ao mesmo tempo começámos a introduzir na Eurorússia focos de consumo já antes testados com sucesso na parte norte da actual Unamérica, acompanhando o processo com técnicas de crescimento de PIS, Percepção de Importância Social para quem não saiba.
 
Conceitos como o Dia dos Namorados ou Halloween podem ainda não vos ser familiares, mas deviam, porque vocês não estão aqui para ouvir contar histórias, vocês estão aqui para aprender, porque a batalha é continua e o Plano precisa que alunos como vocês estejam devidamente preparados para lhe dar continuidade. Enquanto houver uma pessoa lá na Terra que sinta saudades de um natal do passado o Plano terá sempre um risco de retrocesso, por pequeno que seja. O risco, claro. E alguém me sabe dizer porque é que essa fixação nessa data, nesse evento específico, o Natal, é a última e mais difícil barreira de ultrapassar? Diga? Porque estava ligado a crenças de índole religiosa? Sim, esse era o fundamento mas não o mal intrínseco.
Eu digo-vos o que era, porque vocês não têm como o saber, o mal mais profundo e enraizado eram conceitos como família, convívio. Sei que para vocês é difícil de entender mas notem que eram de tal forma relevantes que até muito tarde sobrepuseram-se ao consumo que era então secundário. A Grande Mudança atribui-se hoje exactamente ao momento em que pela primeira vez, uma primeira vez simbólica em termos históricos naturalmente, o comprar se tornou mais importante do que a festa em si.
 
Tudo isto vos pode parecer agora um pouco estranho, vago. É natural, estamos e falar de há mais de duzentos anos atrás. Por ora importa que se consciencializem de que passado todo este tempo, ainda há lá em baixo quem use calendários, quem assinale o dia vinte e cinco de dezembro. Todos os anos interceptamos na áudio-vigilância a frase que lutamos por eliminar, que o natal já não é o que era.
 
João Moreira de Sá
 
 
Este texto nasce do convite feito pela Ana MartinsAna Paula Motta, Isa Silva, Luís Bento, Nuno Gervásio, Tito de Morais, Vasco Catarino Soares e a mim sob a forma de desafio, "um texto, sem regras, único tema O Natal já não é o que era". Este é o meu, aqui em cima os links a visitar para conhecer os outros natais e como já não são.
 

 

tágues: ,

publicado por joao moreira de sá às 05:52
linque do post | Ir ao Confessionário | favorito
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2 comentários:
De Ana Martins a 21 de Dezembro de 2009 às 16:39
Vim aqui ao confessionário para desejar ao shôr arcebispo ___pausa___ \o vénia ___pausa___ umas santas crónicas todo o próximo ano que entre com muitas *pupriedades*.
Obrigada por teres aceite o desafio, pela tua visão sempre irreverente porém contida. Bem sei, a áudio-vigilância. Over and out.

Um abraço,
Ana Martins



De jose miguel a 21 de Dezembro de 2009 às 17:57
Muito obrigado pela boa leitura de final de dia/ano.
Pensei que era o unico louco a celebrar a familia e o nascimento e não entender o excesso de consumismo da época, agora já entendo.
Um santo natal na companhia daqueles que mais o amam é o que lhe desejo.


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