Sábado, 12 de Março de 2011

12 de Março


O futuro começou a 12 de Março? Não sei. Mas algo terá mudado, se não no imediato no país, dentro de cada um de nós com certeza. O sentir que o meus sentimentos de isolamento, as minhas angustias e desesperos, as minhas revoltas são as mesmas de tantos e tantos milhares. Disse alguém que um homem não é uma ilha, digo eu que Portugal não é um oásis, mas é verdade que um deserto se atravessa melhor se em caravana.

Hoje saíram à rua pessoas como eu. Hoje soube-me bem lembrar todo o cinismo e li nos últimos dias, de quem talvez mais que desdenhar, receava a realidade que fizemos deste dia e imaginar toda essa pseudo-elite, pseudo-pensante, pseudo-intelectual sentada nos seus cómodos sofás em frente à televisão tentando pensar o que escrever agora para continuar a justificar os seus inúteis, desconstrutivos e improdutivos artigos de opinião; o que dizer nesses mesmos canais de TV que lhes pagam para nada fazer de útil à sociedade. Que gosto imaginar essa outra geração à rasca!

Pediu-se um sobressalto cívico. Não sei bem quem terá ficado com o sobressalto. Sei, sim, quem deu uma lição de civismo. Que seja um despertar de uma nova consciência cívica é o que espero, pois a ambição será curta se a um protesto não se seguir uma nova atitude construtiva. Um futuro não se pede, não se exige, constrói-se, luta-se por ele.

Depois de hoje, muitos de nós, eu, não vou mais indignar-me com quem não trabalhando de facto nos/me acusa de não querer trabalhar. Sei que somos milhares, milhões que lutamos todos os dias, não pelo tal emprego para o resto da vida, não por um qualquer vínculo eterno, mas tão só pela necessidade - não direito, como diz a nossa constituição - apenas a básica necessidade de ganhar dinheiro para viver. Não para pagar luxos, para pagar a prestação da casa, a conta do super-mercado. Outros que vivem em realidades diferentes onde há prestações de Mercedes para pagar que continuem e confundir tudo.

Cabe a cada um de nós fazer de hoje um dia de mudança. Interna. Pessoal antes de mais. Este protesto/movimento começou nas redes sociais. Pois que sirvam essas mesmas para aí deixarmos o negativismo de lado e saibamos dar, uns aos outros, o que cada um tem de bom, pois uma sociedade nova, diferente, mais humana apenas se poderá ir mudando e construindo pela positiva.

Disse-o: senti-me hoje de alma cheia, como há muito não me sentia. É meu firme propósito deixar a política aos políticos e fazer de ora em diante apenas e só aquilo que eu sei, amo e vivo para fazer: escrever. Não posso mudar o mundo, posso (podemos) continuar a exigir que Portugal mude. Que sejamos governados por uma classe política digna, séria e honrada e que o Estado seja enfim de Direito e Pessoa de Bem, de acordo com a Constituição, mas recuso-me a cair em generalizações. Há gente com valor, para quem o serviço da causa pública está acima dos interesses pessoais ou partidários.

A mim devo-me o dever de continuar a lutar por cumprir o meu sonho e talvez que nas palavras que vou escrevendo consiga fazer sonhar quem me leia. Porque acreditarei sempre que "o sonho comanda a vida e sempre que um homem sonha o mundo pula e avança".

João Moreira de Sá

Portugal, 12 de Março de 2011

 


publicado por joao moreira de sá às 21:31
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Terça-feira, 22 de Fevereiro de 2011

Porque me vão perguntando, aqui vai o desabafo:


Este blogue não acabou. Espero. Está apenas em pausa por desilusão. Desilusão com promessas não cumpridas, desilusão com a falta de vista, ambição, com o comodismo das nossas editoras.
Este blogue quis (quer) ser livro. Vocês, alguns, modéstia aparte, muitos dos que me lêem, foram-me perguntando ao longo do tempo porque não editava um "best of" em livro. Decidi tentar fazê-lo.


Perante respostas como
"para vender 3 mil exemplares nem vale a pena o trabalho, menos de 10 mil não compensa..."
ou
"nós só editamos livros de pessoas conhecidas" (verídico! não importa o quê, só se é "famoso/a", da TV ou assim...nem precisa de o escrever, basta aceitar dar o nome),
... percebi (tarde, mas percebi) que neste país não importa o quê, o conteúdo é irrelevante. Contam apenas os nomes, ou se tem ou não se tem. Eu não tenho. E nunca terei porque não jogo o jogo "deles", não meto nem aceito cunhas ou favores, não pago para ser editado, não entro para a maçonaria, nem para a opus dei, nem me vou filiar em partidos políticos, não tenho padrinhos, não pareço na TV.


Para este desabafo ser sincero, devo deixar a falsa modéstia de lado e dizer que não conseguir ser editado num país que funciona desta forma e onde, como consequência, 99% do que se edita é lixo (para não usar a palavra merda como me apetece) acaba por ser um elogio. Mas um "elogio" que não deixa de desmoralizar.


Talvez um dia apareça uma editora que pense para além do lado meramente comercial. Eu já desisti de a procurar.
Que as "arcebispadas" vão voltar, fica a promessa. Não sei se diariamente, porque "isto" tem que ser antes de mais um prazer meu e neste momento não é.
O facto de darem pela "minha" ausência, isso sim, motiva-me a voltar.
Obrigado.

 


publicado por joao moreira de sá às 11:30
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Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

Audi, São


Ela queixa-se que eu não lhe dou ouvidos mas eu continuo a achar que me fazem falta.

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publicado por joao moreira de sá às 09:30
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

A minha saúde mental e auditiva solicitam

 

Alguém faz o favor de dar um abraço ao Miguel Gameiro, encostar-se ao Jorge Palma e fazer o que ainda não foi feito com o Abrunhosa?

 


publicado por joao moreira de sá às 17:07
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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2010

I've got a feeling


De que não aguento ouvir aquela música até ao Mundial.
(ao ponto de não ter a certeza se quero que Portugal passe da primeira fase...)

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publicado por joao moreira de sá às 06:38
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

coisas

 
Sabem aquela sensação, ao aterrar de avião, de ter todo o canal auditivo obstruído e sentir uns estalidos cá dentro e uma espécie de comichão que não comicha, é mais assim como se o mar estivesse a fazer ondas na areia dentro do ouvido e que geralmente só passa já em terra, ora bocejando (e peço desculpa às pessoas que lendo esta palavra vão bocejar), ora fazendo aquela figura ridícula de tapar o nariz e tentar soprar pelo mesmo para forçar o ar a ir tentar sair pelas orelhas e conseguindo "destapam-se"?
Pois eu agora vivo assim 24 horas por dia. E não é bom.
 
tágues:

publicado por joao moreira de sá às 06:33
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Matei o Mickey

 
Acertei-lhe com um sapato donald.
 
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publicado por joao moreira de sá às 09:36
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Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Worta sempre

 

O Pedro Granger, contando do seu dia, acha relevante que eu saiba que antes de sair para o ginásio vai comer não um mas dois iogurtes e que não sabe se tem tempo para almoçar porque marcou ir cortar o cabelo porque está com uma ganda gadelha.
Boa sorte, pá.
 
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tágues:

publicado por joao moreira de sá às 08:58
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Finalmente!

 

Consegui gerar uma polémica/discussão digna desse nome. Cansativa mas muito divertida.

 

Por causa disto.

 

tágues:

publicado por joao moreira de sá às 14:56
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

normalmente...

 
Este é um texto que eu normalmente não escreveria, muito menos publicaria. Mas normalmente não é dia 25 de Junho. Normalmente não nos morreu a ultima Avó viva no dia 23 de Junho. Normalmente não vou a funerais a 24 de Junho. Normalmente a minha mulher não está a ser operada desde as ?? de manhã do dia 25 de Junho. Normalmente a nossa mãe não vem de uma consulta no IPO (felizmente para confirmar que a “besta” foi vencida) no dia 25 de Junho. Normalmente não se está em casa com 2 filhos de 6 e 8 anos, num dia 25 de Junho e normalmente quando a “Bisa” morreu, a Mãe está no hospital, a Avó sim, continua doente, sim, tanto tempo, vamos para a piscina? Vamos pois.
 
Normalmente, durante toda o período de doença da minha mãe, deixar a cabeça sair desta realidade para a da imaginação, que me resulta na escrita, no humor, foi uma terapia. Hoje não, hoje só queria mesmo um bocadinho de... normalmente.
 
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tágues:

publicado por joao moreira de sá às 12:48
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Hoje não me apetece ser humilde, porra!

  
Poema arcebispal,
 
10 ilusão
 
Por vezes sinto-me o rio que corre na minha aldeia.
Corre mais talento nas minhas veias que na de muitos tejos.
Mas os tejos vão a muito lado, conhecem muita gente.
Para além dos tejos há convites, oportunidades.
No meu rio de ideias, não se vai a lado nenhum.
 
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publicado por joao moreira de sá às 05:32
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

De Sá para Arcebispo

 
- Mas porque é que eu não arranjo trabalho a escrever, Arcebispo?
 
- Não sabes, Sá? Porque sem Cunha não Vaz a lado nenhum...
 
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publicado por joao moreira de sá às 06:08
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