Quinta-feira, 5 de Agosto de 2010

Um arcebispo no Parque Aquático


Por muito que eu gostasse que o que se segue fosse um suponhamos, que eu adoro um bom suponhamos precisamente por estar implícito que não passei pela experiência suponhada, tal não é o caso, troque-se pois o suponhamos por um soframos, em jeito de plural singular: Eu sofro. E eu não gosto de sofrer. Muito menos em férias. Mas algures entre o prazer e o sofrimento alguém inventou os Parques Aquáticos. E a balança pende clara (totalmente?) para o lado DOR.


Escapa-me desde logo a lógica do prazer que se possa tirar de se aglomerarem três mil e oitocentas pessoas (diz o cartaz, eu por alto conto mais de cinco mil) formigas), de esperar coisa de uma hora numa escadaria à torreira do sol para, uma vez chegados lá acima "descer" por uma rampa com saltos ou um tubo tortuoso e escuro ou uma queda vertiginosa ou qualquer outra coisa com uma duração - na parte do suposto gozo da coisa - de poucos segundos, alta probabilidade de uma valente dor de costas ou rabiosque, aterrando por fim sobre a cabeça do descedor precedente e fugir para, com sorte, evitar levar com os pés do kamikaze seguinte nas costas. Não percebi ainda se é da adrenalina, do cloro ou de substâncias orgânicas humanas libertadas na água mas o efeito e consequência é irem estas formighumanas a) voltar para o engarrafamento para repetir a queda - pode ser que desta partam pelo menos um bracinho - ou b) procurar uma coisa mais radical com o inerente maior tempo de espera pelos breves segundos da... eu gostava de lhe chamar descida mas depois de já ter experimentado o termo adequado é mesmo queda, aquilo de ter água apenas dá um ar engraçado à coisa, na prática provoca uma aceleração que eu gostava de ver os Comandos e os Rangers a treinar num destes parques e de certeza que desistiam mais do que em Tancos.


Mas, é chegar e toca a "correr" para os tortuosos deslizadores aquáticos? Isso é que era bo... menos mau. Primeiro há que pôr em prática várias lições de vida como o afastamento mais ou menos discreto do molho de tralhas e toalhas dos vizinhos, recorrendo se necessário ao arremesso em modo "ai desculpe, não reparei" ou utilizando aquele truque que nunca falha de inventar uma língua estranha e dizer apenas "me Quirguistan, no comprendo, no speak inglese". Basicamente qualquer coisa que sirva para que se consiga poisar o saquito das toalhas, que já o estende-las é um luxo ao alcance de quem chega à porta da entrada cerca das 5-6 da manhã à espera que o parque abra (às 9? 10?) mas que mesmo assim não dá garantia de lugar guardado pois nada impede que outro(s) venha(m) estender a(s) sua(s) toalha(s) por cima e que, confrontados pelos donos das originais respondam também "me Tchechenia, no speak english, no touch me I BUMMM!". Em último caso é "pedir discretamente emprestado" um chapéu de sol, encontrar alguém ferrado a dormir de barriga para baixo e apontando bem e com a devida força temos um belíssimo suporte de chapéu para o resto do dia com a vantagem de ser muito provável que ninguém dê pela falta da ex-criatura.


Claro que depois de ter conseguido um espacinho equivalente ao Expresso (dobrado ao meio) para pousar as suas/nossas coisas a pessoa pode optar por não se ir desmembrar e ir calmamente tomar um cafezinho. Pode? Não, não pode, a menos que esteja também preparado para esperar meia horita para que o dito nos escorregue garganta abaixo. Creio que faz parte do conceito "disto", se é coisa que escorregue, há que esperar.

 

Mas eu não quero passar uma ideia errada. Eu não tenho nada contra os parques aquáticos, limito-me a detesta-los. Eu até entendia e talvez achasse interessante que existissem em... Trás-os-Montes, Beja, Amareleja, Odivelas... Não, o que me faz mais confusão é o have-los precisamente no... Algarve. Que pena que não haja boas praias no Algarve e que as pessoas se vejam obrigadas a recorrer a estes entretenimentos (?) artificiais.


(Quem disse que o inferno era fogo e chamas mentiu, o inferno e feito de água. Ainda falta muito para irmos embora?)


publicado por joao moreira de sá às 09:30
linque do post | Ir ao Confessionário | Ler confissões ou rezar o Terço (4) | favorito
|
Creative Commons License
Este Blog está licenciado sob uma Licença Creative Commons.



Joao Moreira de Sa

Cria o teu cartão de visita

Twitter
Micro Cuts

Divulga também a tua página

CONTÉM CONTO MEU (já editado Comprar: AQUI
Ocultos Buracos

Promote Your Page Too

VAI CONTER CONTO MEU (pelo Natal, mas experimentem clicar na capa)




Blogue para Contactos Profissionais

Outras escritas

Quem???

Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 44 anos (embora um teste da Sábado diga que na realidade tenho 47... já estive mais longe, tenho que repetir o teste). Presentemente desempregado mas com boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center. Escrevo porque não gosto lá muito de falar e como irresponsável que sou, acredito que um dia ainda irei conseguir ser pago para escrever, o que já vai demorando um bocado...
jmoreiradesa@gmail.com

pesquisar neste belogue

 

Arquivos da Cantuária

tágues

todas as tags

subscrever feeds



Péssimos clips de humor na
TV Arcebispo

revista Única/Expresso


revista Nós/jornal i


Nuno Markl in Única/Expresso
Há gente com graça na Internet?

Imensa. O arcebispo de Cantuária. É um tipo com um site magnífico com trocadilhos. Dos mais refinados que eu vi em toda a minha vida.

arcebispo no programa "As Tardes da Júlia", TVI, 01.07.09.




jornal i "Blogues das mamãs. São mais que as mães e servem para tudo"

"Os (arcebispais) Incorrigíveis"

Arcebispo de Cantuária 17º Melhor Blog Português de 2007

Porque nem só de trocadilhos vive um Arcebispo:

Manjares do Arcebispo" (2ª edição disponível em paperback 11.35€ e e-book download 2,50€)



COMPRAR ONLINE: BUBOK





MAIS INFORMÇÃO