Segunda-feira, 21 de Novembro de 2005

Foi um dia fraco

Foi um dia fraco. Só consegui 3. é do verão, anda menos gente. E apesar de tudo, bem bom está agora, há uns anos era quase impossivel conseguir um que fosse em Lisboa, ficava mesmo deserta. Havia de perguntar ao Passos se ele também notava isso na profissão dele, ía eu pensando, enfiado no 35 (santa ironia, o dia todo a andar de carro e... para casa de transportes...).

Já láestavam os dois à minha espera.

- sempre o ultimo!

- há quem trabalhe...

- deixa-te disso. Olha lá, quantos, hoje?

- três.

- não tá mau, para Agosto... e alguma coisa valente?

- por acaso um foi porreiro, consegui mesmo que a culpa fosse dela e tinha Total!

- diga-me cá uma coisa.

- tem a ver com isto?

- não.

- ...nunca tem.

- não é isso! Não é com vocês?

- e tá aqui mais alguém, batráquio?

- é com o autor

- ah! esse é tótó, avança.

- tu, não estás por acaso a abusar na acentuação? Isto por acaso é teatro? Tem lá calminha, que cansas os leitores.

EU ESCREVO COMO QUISER. É ASSIM QUE EU GOSTO DE ESCREVER. NÃO GOSTAS? NÃO TIVESSES APARECIDO NESTE CONTO. AGORA SE NÃO TE IMPORTAS, VOLTA LÁ PARA O CONTO, ESTÁ BEM? SENÃO VOU TER QUE TE MATAR E ISTO NÃO É UM LIVRO VIOLENTO.

- isso, um total, é coisa para quanto quanto?

- 200% pelo menos. Reeincidente, ainda por cima.

- e quanto é que vale o chaço

- o chaço é um bruto BM, recente, vai apanhar uma castanhada!

- és tu que vais avaliar Gomes?

- devo ser.

- coisa para quanto?

- nunca menos de 5000

- euros?

- contos, estúpido, dinheiro, mesmo.

- é bom, é bom. Somos nós que vamos financiar?

- acho que sim! Deve ser o esquema do costume

- então passas lá no banco amanhã.

- devo passar. Temos que saber até onde é que podemos esticar a corda à mulher.

- eu vejo-te isso.

- se a conta dela for das boas, para o ano, se quiser seguro para o carro, “minha querida, Exma. Sra. Dª Coisa, devido à participação do acidente tal e coiso, o seu prémio passa para CCC – Caro Comó’Caralho, como já sabe que se for às outras seguradoras elas sabem o preço, vão cobrar mais caro porque é uma cliente de risco, mas nós que até somos Simpáticos, até deixamos fazer por este preço catita, sendo um CCC, e como não pode andar sem o seguro, o melhor é mesmo pagar ou vender o carro, caso em que, não deixe de nos consultar pois dispomos de acordos com vários stands de usados que costumam ficar com esses carros.
Com os melhores cumprimentos,
Somos,
de V. Exa.,
atenciosamente,

- foda-sa! Tá lixada!

- amanhã leva-me os dados do carro para eu fala lá com o Pablo a saber se o BM lhe interessa.

- o Pablo já entrou?

- claro! Não queria, não queria, foi comprado. Mas agora é que ele tá bem, leva um BM de 5000 por 2000, vende aquilo por 4000, dá mil para ele e mil para o banco, é fixe!

- é por isso que eu digo. Nós andamos mal pagos.

- mas só agora é que percebeste? Então o gajo vai fazer uma milena à conta dum carro. Eu, por exemplo, se não fosse o que o Pablo e essa malta que eu trago me pagam, não me safava, só com o banco. E tu!? Nem subsidio de risco tens! Bolas, um gajo que tem como profissão provocar acidentes, sem ser culpado... é trabalho especializado, devia ser bem pago. Os gajos esquecem-se que sobrevivem à conta de todos os gajos como tu que andam a bater estradas e cidades à cata de bater. Ou como eu, que lhes trago os clientes que tu vocês me mandam. Disso não se lembram eles.

- manda aí vir mais três.

... e tremoços

publicado por joao moreira de sá às 13:17
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Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 44 anos (embora um teste da Sábado diga que na realidade tenho 47... já estive mais longe, tenho que repetir o teste). Presentemente desempregado mas com boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center. Escrevo porque não gosto lá muito de falar e como irresponsável que sou, acredito que um dia ainda irei conseguir ser pago para escrever, o que já vai demorando um bocado...
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