Terça-feira, 13 de Novembro de 2007

O dia chegaria...

(Conforme disse, passo a publicar aqui os textos de todos os meus belogues. Hoje estreio aqui o relato dos episódios reais que partilho com os meus filhotes, o A. de 7 anos e a M. de 6)
- ... Isso chama-se ser supersticioso. Havia uma música dos Heróis do Mar que era "Eu cá não sou supersticioso, mas o pai dela dá-me azar. Na sala não, pode ser p'rigoso. Vamos pró carro namorar"
- Pró carro namorar? Só se for para fazer sexo.
(breve paragem cerebral)
- Fazer o quê, M.?
- Sexo.
(longa tentativa para falar impedida pelo riso)
- Mas tu sabes o que é sexo?
- Sei, é duas pessoas despirem-se todas e beijarem-se na boca - diz-me a pirralha de 6 anos ainda indignada com o meu riso.
- Oh, não é nada! - diz o rapazote de 7 (é aqui que nós, homens, começamos a perder terreno)
- É, não é pai?
(tentativa de seriedade)
- É M., é muito parecido com isso. É como os adultos fazem os bebés.
- As pessoas despem-se? Bolas, então não vou querer fazer sexo nunca, que nojo!
- Pois a mim parece-me delicioso, acho que vou querer fazer sexo 300 mil vezes. Se for com o A.M. então 300 mil e duzentas, ele é lindo.
(breve pânico)
- Isso talvez seja melhor eu explicar-te mais tarde, M.
- Pois, queres ter 300 mil filhos?
- A., também não se tem um filho cada vez que se faz sexo.
(ai, que caminho…)
- As vezes falha?
- É um bocadinho mais complicado que isso mas se calhar ainda é cedo para vocês perceberem.
(pausa para tentar controlar de vez o riso e imaginar uma linha de fuga. Não deu tempo)
- Tu e a mãe já fizeram sexo?
(pausa para severo engasgamento)
- Claro, senão vocês não tinham nascido.
- Então fizeram duas vezes?
(estou perdido, e não só de riso)
- Pelo menos, sim.
 
E eis que se deram por subitamente satisfeitos… por ora…
É que o problema não é falar abertamente sobre as coisas, é o como falar delas de forma a que eles percebam e nós não fiquemos completamente entalados.
 
tágues:

publicado por joao moreira de sá às 09:30
linque do post | Ir ao Confessionário | favorito
5 comentários:
De Eduardo Ramos a 13 de Novembro de 2007 às 12:38
FOSGA-SE!
Eu tenho dois rapazes... 4 e 6 anos. Até tremo quando sair uma dessa daquelas cabeças.


De catia a 13 de Novembro de 2007 às 14:54
Os seus filhos devem ser fantásticos. Fartei-me de rir com as perguntas e afirmações dos filhos e com as reacções do pai.


De joao moreira de sá a 13 de Novembro de 2007 às 16:24
Todos os filhos são fantásticos. Os pais, se quiserem. Eu por mim faço o meu melhor, limito-me a ser tão "eu" com eles como sou com qualquer outra pessoa de qualquer idade (o que me cria mais problemas com os adultos do que propriamente com as crianças, possivelmente devido a uma maior proximidade de idades mentais).


De silentvoices a 13 de Novembro de 2007 às 23:10
Não, Não... Quem não queria estar no teu lugar era Euzinho!!! Deve ser complicado ter que explicar sem chocar!?!? São tão novos, que dá medo!
By the way, lá vai mais um clic!


De joao moreira de sá a 14 de Novembro de 2007 às 09:24
Eles não se "chocam", pelo simples motivo de que não têm preconceitos. Para eles tudo no mundo é novo pelo que o sexo é uma coisa nova tão natural como descobrir o PC. Nós é que temos a mania que eles se chocam, avitamos e diabolizamos as coisas, complicamos, não lhes explicamos e criamos uma confusão naquelas cabecinhas que dá mau resultado.

Se lhes falarmos como Pessoas que são e não como atrasadinhos mentais, que é o que eu tento fazer, eles percebem até ao ponto da sua capacidade e se a ultrapassarmos, eles avisam ou "desligam".

O que choca as crianças é haver coisas que os adultos lhes explicam e outras que não explicam, isso sim. É muito simples, basta não complicar :)


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Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 44 anos (embora um teste da Sábado diga que na realidade tenho 47... já estive mais longe, tenho que repetir o teste). Presentemente desempregado mas com boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center. Escrevo porque não gosto lá muito de falar e como irresponsável que sou, acredito que um dia ainda irei conseguir ser pago para escrever, o que já vai demorando um bocado...
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