Domingo, 13 de Julho de 2008

Da imperiosidade de ser figura pública

  

Critica-se por pacóvia sede de protagonismo a deliberada busca por muitas, tantas pessoas dos ditos 15 minutos de fama. À medida da ambição ou objectivo cada um, seja num concurso de talentos, numa aparição televisiva, numa intervenção radiofónica, numa carta publicada num jornal, num blogue.
 
Critica, naturalmente, quem opina na televisão, fala na rádio, escreve no jornal ou revista. Que tendem a ser invariavelmente as mesmas pessoas, “figuras públicas”, nomes e/ou caras conhecidos. Sendo este um país pequeno, são poucos e funcionam, para quem vê de fora – e é impossível não ver, as revistas “cor de rosa” colocam-nas diante dos nossos olhos diariamente, como que numa categoria “JetMedia” - como um pequeno clube, fechado, muito fechado e onde toda a gente se conhece. E onde toda a gente se inter-convida para tudo e mais alguma coisa.
 
A exposição mediática queda-se em dois campos: fora do circulo vicioso, o cidadão anónimo tem acesso às “luzes da ribalta” (afinal era uma quadrilogia) se em troca vender o seu drama, o seu sangue, a sua intimidade. A outra, de divulgação de obra ou talento, fica reservada ao circulo mágico, o dos convites, o “escreve para mim e deixa-me ir ao teu programa apresentar o meu livro”.
 
No final, resulta que o que conta como produto a oferecer – televisivo, radiofónico, jornalístico, literário, até no humor isso corre o risco de acontecer porque as boas vontades não ultrapassam certas barreiras – conte pelo “quem fez” e não pelo conteúdo. Não retira isto qualquer mérito aos conteúdos/produtos oferecidos pelas nossas figuras públicas – uns terão mais que outros, naturalmente – mas é facto que deixa de fora toda uma “maioria silenciosa”, cliché tão mais apropriado como é facto haver por cada colunista com artigo regular, por cada jornalista, por cada apresentador televisivo, por cada escritor, por cada humorista, por cada guionista, dez, cem, que buscam uma oportunidades. E com tanto ou mais valor.
 
Mas quando o valor não tem valor, que alternativa senão recorrer a outro cliché e “se não podes vencê-los, junta-te a eles” e tentar entrar para o clube? A TV, claro, é o meio com maior e mais imediato impacto e efeito. O “caminho mais rápido para a fama” para completar a trilogia de clichés e frases feitas. No humor, infelizmente, ainda não descobri qual é.
 
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publicado por joao moreira de sá às 20:00
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Uma mente delirante e não muito normal encerrada num corpo com 44 anos (embora um teste da Sábado diga que na realidade tenho 47... já estive mais longe, tenho que repetir o teste). Presentemente desempregado mas com boas perspectivas de conseguir vir a trabalhar num call-center. Escrevo porque não gosto lá muito de falar e como irresponsável que sou, acredito que um dia ainda irei conseguir ser pago para escrever, o que já vai demorando um bocado...
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